terça-feira, outubro 30

Não.




Existe um estado
Um sentir
Que mais poderia ser chamado de ‘não’.



É um não estar mais do que o estar.
É uma ausência da sensibilidade humana.


É a negação de todo um passado,
Uma predisposição de um não futuro.



É a certeza de que tudo acabará.
E que quando isso acontecer, estarás na primeira fileira.
- inerte, assistindo. –



Não importará.
Nada lhe importará.
Nem o bem, ou mal...
Tudo lhe parecerá igual.

- leve apropriação, admito –




A vocês, caros amigos...
Boa viagem, aproveitem o percurso de suas vidas.
Gozem bastante da alegria

-não só da alegria. –
Com os outros. Uns nos outros...sobre os outros, como melhor convir.
Pois é tudo que nós possuímos.
E a chegada do ‘não’ é inevitável.


Espero que sua partida também...



segunda-feira, outubro 22

Tempo feliz - Vinicius de Moraes


Feliz o tempo que passou, passou
Tempo tão cheio de recordações
Tantas canções ele deixou, deixou
Trazendo paz a tantos corações

Que sons mais lindos tinha pelo ar
Que alegria de viver
Ah, meu amor, que tristeza me dá
Vendo o dia querendo amanhecer
E ninguém cantar


Mas, meu bem
Deixa estar, tempo vai
Tempo vem
E quando um dia esse tempo voltar
Eu nem quero pensar no que vai ser
Até o sol raiar .
.

Non Je Ne Regrette Rien


Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
Ni le bien qu'on m'a fait,
ni le mal, tout ça m'est bien égal.


Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Nem o bem que me fizeram,
Nem o mal, tudo me parece igual


Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
C'est payé, balayé, oublié,
je me fout du passé...


Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Está pago, varrido, esquecido
Eu estou farta do passado...


Avec mes souvenirs,
j'ai allumé le feu,
Mes chagrins mes plaisirs,
je n'ai plus besoin d'eux.


Com minhas lembranças,
Eu alimentei o fogo
Minhas aflições, meus prazeres
Eu não preciso mais deles.


Balayés mes amours,
avec leurs trémolos,
Balayés pour toujoursje repars à zéro...


Varri meus amores
Junto a seus aborrecimentos
Varri por todo dia
Eu volto ao zero.


Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien,
Car ma vie, car mes joies,
Pour aujourd'hui
Ça commence avec toi.


Não, de jeito nenhum
Não, eu não me arrependo de nada
Minha vida, Minhas jóias
Hoje
Começa com você.

domingo, outubro 7


Das horas que tanto passei...

Para o agora, que já se estendeu.
Permitem aquele não estar
em um certo movimento constante...

Presente no meu andar...
Poente no meu sentir...
Escasso no meu pensar...

Daquelas que se tenta escapar...
Se não seria meu ser, seria um estar.
Acabaria já com aquela dose de poesia
Presente em parte, sim, doente, no meu olhar.

À quem, é verdade...
eu evito encarar...

terça-feira, setembro 25

Joana


"Você é viagem sem volta, Joana. Agora eu vou contar pra você, sem rancor, sem sacanagem, porque é que eu tinha que te abandonar. Você tem uma ânsia, um apetite que me esgota. Ninguém pode viver tendo que se empenhar até o limite de suas forças, sempre, pra fazer qualquer coisa. É no amor, é no trabalho, é na conversa, você me exigia inteiro, intenso, pra tudo, caralho...

Tinha que olhar pro céu pra dar bom dia, tinha que incendiar a cada abraço, tinha que calcular cada pequeno detalhe, cada gesto, cada passo, que um cafezinho pode ser veneno e um copo d’água’, como de aguarrás. Só que, Joana, a vida também é jogo, é samba, é piada, é risada, é paz. Pra você não, Joana. Você é fogo... Está sempre atiçando essa fogueira, está sempre debruçada pro fundo do poço, na esquina da ribanceira, sempre na véspera do fim do mundo. Pra você não há pausa, nada é lento, pra você tudo é hoje, agora, já, tudo é tudo, não há aquecimento, não há descanso, nem morte não há.

Pra você não existe dia santo e cada segundo parece eterno. Foi por isso mesmo que eu te amei tanto, porque Joana, você é um inferno.

Mas, agora eu quero refresco, calma, o que contigo nunca consegui, nunca, nem um minuto. Já com Alma é diferente, relaxei, perdi a ansiedade, ela fica ao lado, quieta e a vida passa sem moer a gente..."

segunda-feira, setembro 24



Está nublado lá fora.
E aqui dentro.
Estou só esperando o meu limite.
Que chega logo, sei bem.


quinta-feira, setembro 20

José



"Mas, você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho- do- mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
se cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"


Drummond